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18/03/2016
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Prosas dedicadas à pessoas próximas 5

Lord Indra

Aqueles olhinhos julgadores como um soldadinho na porta do céu, me olharam sem simpatia.
Mas eu estava no meu terreno, protegida.

Foi assim. Com ar de sabido e segurança de quem já viveu que ele me intimou à verdade.

Analisou meus músculos emocionais e disse que minha atrofia seria curada quando eu me jogasse nas águas turvas da minha verdade.

Nem perguntou se eu sabia nadar. Eu me joguei. A água estava morninha. Mas cheia de correntes, sabe.

Aquelas mãos determinadas e cheias de opinião se mantinham escondidas sob braços cruzados, e existia um certo prazer em me ver nadar ora na luz, ora no lodo.

Ele não admitia, mas gostava de brincar. E dizia que eu que sabia jogar. Eu obedecia às regras da sua brincadeira.
Antes da chance de derrota, vitória, ou game over, ele pausava a tela. E o próximo play era sempre imprevisível.

Como um Deus controlador, age enérgico. Reflexo sou eu de suas fraquezas. E da sua franqueza.
Mas que seja, que assim seja.