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15/02/2017
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Feminino&Masculino

O mundo é feito de polaridades…

Muitos de nós estamos familiarizados com o conceito de luz e sombra, dia e noite, ativo e passivo, fogo e água, ascendente e descendente… essas são características das energias masculina e feminina: os “opostos” complementares.

Na natureza física e comportamental, podemos notar os diferentes graus de presença do masculino e do feminino, que são características muito além dos gêneros sexuais: são as forças que geram vida no mundo e ilustram a dualidade.

Cada um de nós tem uma predominância de uma dessas energias. Em regra geral: mulheres tem mais energia feminina e homens tem a energia masculina dominante. E dominância não é exclusividade! Os taoistas já ensinam a milênios, com o símbolo do Tao(ou YinYang): há uma semente de escuridão dentro da luz e uma semente de luz contida na escuridão. Traduzindo para nosso caso, todo homem terá também energia feminina e toda mulher terá também energia masculina. O mais importante de se ter em conta é a qualidade dessas energias: se são funcionais ou disfuncionais, saudáveis ou patológicas.

Essas energias se manifestam em todos os níveis: no corpo físico, no comportamento, nos sentimentos, na forma como nos relacionamos. Mas como saber o que é saudável? Segue aqui uma lista de exemplos funcionais e disfuncionais das energias masculina e feminina:

MASCULINO funcional: ênfase na autonomia, ação alinhada a um objetivo, o “fazer” mais que o ser, inclinado à diferenciação, tendência para criar sistemas de ordem

MASCULINO disfuncional: alienação dos outros, isolamento, separação ou despersonalização, emoções inibidas, dominação com controle e agressão, medo de relações, comportamentos destrutivos, resistência ou incapacidade de ver perspectivas de outras pessoas, energia criativa transformada em destrutiva

FEMININO funcional: ênfase nas relações, força através da comunhão, cultiva a interdependência natural dos indivíduos, o sentido de self é influenciado pelos outros, indiferença à individualidade, espontaneidade

FEMININO disfuncional: perder-se na relação, medo de estar só, de tomar decisões, relações co-dependentes e fusão emocional, perda da individualidade, muita ansiedade perante o caos, morte da libido, apatia

Carol Gilligan (filósofa e psicóloga feminista, professora de Educação da Universidade de Harvard) trouxe em seus estudos essa visão do desenvolvimento diferente entre os gêneros. Coloca o desenvolvimento moral das pessoas tendo diferenças influenciadas pelo gênero.

Em termos gerais: a voz masculina, baseia-se em justiça e autonomia enquanto a voz feminina baseia-se nos relacionamentos, responsabilidade, cuidados.

Ou seja: mulheres tendem a comunhão, guiam-se pelas conexões, buscam relações. Já homens, tendem a ação, guiam-se por regras. A identidade de gênero masculina é ameaçada pela intimidade, ao passo que a identidade de gênero feminino é ameaçado pela separação.

Ken Wilber, fundador da Abordagem Integral, meta-teoria que tem Carol Gilligan como a principal pensadora da diferença de gêneros, cita um exemplo em seu livro Introduction to the Integral Approach:

“Alguns garotos estão jogando beisebol, um garoto erra a terceira tentativa e está fora, assim ele começa a chorar. Os outros meninos ficam inabaláveis até o garoto parar de chorar, afinal, a regra é a regra, e a regra é: três erros e você está fora. Gilligan ressalta que se uma garota está por perto, ela geralmente diria: ‘Ah, vamos lá, dê outra chance!’. A menina o vê chorando e quer ajudar, quer conectar, quer curar. Isso, no entanto, enlouquece os meninos, que estão fazendo deste jogo uma iniciação ao mundo de regras e à lógica masculina. Gilligan diz que os meninos vão, portanto, ferir os sentimentos a fim de salvar as regras, as meninas vão quebrar as regras para salvar os sentimentos.”

Mas estamos aqui falando das forças de forma generalizada e básica. Relembrando: as duas polaridades estão presentes nos dois sexos. Quanto mais o individuo se desenvolve, com mais facilidade pode acessar, eleger e distinguir as tendências masculinas de justiça, ou tendências femininas de cuidado. Ou seja, conforme crescemos moralmente, cognitivamente, emocionalmente, mais e mais fluidez temos para alquimizar a energia masculina e feminina em nós, disponibilizando as virtudes das duas partes para homens e mulheres.

 

*O estudo do feminino e masculino é um dos pilares da abordagem integral, uma abordagem que mapeia a realidade de forma abrangente e inclusiva, permitindo a partit desse mapeamento que entendamos quais os pontos fortes e fracos e caminhos de desenvolvimento dos seres individuais e coletivos. Se quiser saber mais sobre, te convido a participar do mini curso gratuito online Integral Way. Para receber as aulas em seu email basta se cadastrar no site cursointegralway.com!